Mel e Escuridão

Morávamos no mesmo prédio, sabia?

Morávamos no mesmo prédio, sabia?

A única duvida que esfumaçava os pensamentos de Rui era se Pâmela era só Mel, Escuridão, pura doçura ou de tudo um pouco. Maldito livro de significados dos nomes que o pobre coitado leu quase sem querer ao bisbilhotar a leitura alheia de uma ninfeta grávida no Metrô do Rio de Janeiro. Numa profundidade segura da realidade, dentro da centopeia de lata que sacolejava quando em vez , ele percebeu que a menina grávida começava a se incomodar com olhares tão diretos. E jogou uma conversa tola sobre o tempo e o calor que faz “lá fora”.

No meio do pseudo papo, Rui pode admirar a beleza da menina. E perguntou: quantos anos você tem? 28, respondeu a quase balzaca bela criatura.

– Não pode ser…. você tem no máximo 20….
– Em cada perna talvez…. 20 quilos….
– Quê isso, menina…. você tem belas pernas… errr… desculpe, não era isso que queria falar…. e…
– Qual o problema de elogiar minhas pernas… você gostou? ( e nesse momento ela começou a subir vertiginosamente a barra da saia de forma que era visível suas coloridas Tattoos.
-Err… bem… gostei muito….  sua alvura combina com as cores que escolheu eternizar em sua pele.
– Quer sentir a textura delas? digo….. das minhas pernas… anote meu número….
– Mas você nunca me viu… não me conhece… como podes confiar a mim seu número?
– Confiarei meu corpo a ti se escolher um bom nome para mim… tome… escolha um bom nome.
– To começando a entender, ãããã… seu nome mesmo?
– Meu nome é você que vai escolher…. só quero que seja com a letra P.
– Priscila…. pequena idosa? Melhor não… Melhor não…. Priscila é a melhor lembrança que tenho do ano passado… errrr… Patrícia? tampouco… não tens cara …. Porra… Pâmela… isso… Pâmela… Puta nome… Pâmela….
– Boa escolha…..
– Rui.
– Boa Escolha, Rui. Posso ser o que você quiser: Doce ou escuridão. Salgada…. Agridoce….
– Sei… mas prefiro que você seja o que quiser e me cative com a sua originalidade… afinal, não é todo dia que me encanto por uma mulher que penso ser uma ninfa mas que na verdade é quase balzaca… ah, e não está gravida….
– Pq pensou que eu estaria grávida? ta me chamando de gorda, é, cara de pau?
– Tá de sacanagem, Pâmela? Pensei nisso por causa do livro… e só… se bem que você tem o corpo que gosto de admirar, tocar, sentir eeee… errr…
– É, e como é esse corpo?
– Vocês podem parar com a putaria velada e arrumarem um quarto, por favor? Tô tentando dormir desde a estação Uruguai e desde a Saens Pena vcs não param de falar….  Obrigada – Disse uma senhora que escutava a conversa….

Chegando na estação Carioca, os dois fizeram o mesmo movimento em direção as portas do vagão e descobriram naquele instante que a conversa não acabaria ali.

– Pode continuar de onde parou?
– Adoro mulheres brancas, grandes e coxudinhas e…e…. gordinhas. São as melhores….. desculpe a sinceridade… e a palavra que usarei…. pode até virar as costas se te ofender ou me dar um tapa e assim partir:  gordelícia…. pqp… desculpe… saiu…. eeeeee
– Cale a boca e me siga….
– Pra onde? tenho que ir pro trabalho…. são 9:30 já….
-Trabalha aqui perto?
-Sim sim…
– Então meia hora basta… só quero te mostrar uma coisa….

Rui acompanhou os passos da linda mulher e seu vestido preto… Mal sabia que dentro daquele vestido além da sensualidade master, residia uma pessoa incrível, densa, intensa e apaixonante. – Que coxas lindas… isso é poesia.

Pâmela parou na entrada de um prédio comercial na Rio Branco, cumprimentou o segurança, os porteiros, as faxineiras e alguns que trabalhavam no local e apertou o passo. Rui a seguindo sem arfar. Logo estavam no elevador de serviço do prédio e ali mesmo, Pâmela se despiu : Linda, branca, volumosa, pele lisa, cheirosa e tatuada… Seus seios tinham os mamilos em formato de coração…. nova moda entre as garotas que não seguem a moda mainstream. Sem saber o que fazer, Rui a abraçou e sentiu a firmeza de seu corpo. Ela era mais impressionante do que imaginava quando ainda vestida. Sem dizer palavra alguma,  só na troca de olhares… Chegou no 15º andar. Vazio. Ela foi desfilando toda sua sensualidade pelo corredor até chegar na porta de uma sala. Rui estava intranquilo, excitado com o aquela figura linda e nua, apenas de saltos e uma bolsa preta e grande que segurava pelas alças e o vestido como um pêndulo em seu braço esquerdo. Pâmela postou sua bolsa no chão e se agachou para pegar a chave. Nem preciso dizer que naquele momento Rui explodiu por dentro da calça. Pâmela era a personificação de todos os seus desejos.

A sala era na verdade a casa da bela e corpulenta mulher. Ao menos de Sexta a Sábado, já que aos domingos ou quando estava a fim de sossego, ela ficava em um apê próximo ao Shopping Tijuca. Fato que Rui desconhecia até o momento.

– Tire sua roupa agora, cara.

Rui estava nu e ainda não acreditava no que acontecia sob os domínios de sua retina.

Diante de tal imponência, Rui reverenciou-a. Ajoelhou-se. Pâmela apoiou um dos pés na cadeira ao lado de Rui e ele a chupou com sabedoria: Leveza, fluidez de movimentos contínuos, certa dose de força nos grandes lábios e com maciez, rapidez e sabor no clitóris mais rosa que já experimentou na vida. Em pouco tempo, Pâmela gozou na boca de Rui que em seguida  pode saborear seus lábios pela primeira vez : Um beijo inesquecível onde a dupla de bocas estavam sempre no lugar certo e na hora certa, com línguas trêmulas e sagazes a todo tempo.

– Linda…. você é puro êxtase e….
– Rui, toma… seu cachê….

Pâmela deu a Rui R$150,00 reais.

– Como assim, Pâmela… que porra é essa?
–  É o que te devo por me fazer gozar tão gostoso logo de manhã.
– Mas isso não faz sentido… err.. “peraí”… você faz programas?
– Não, idiota… eu promovo prazer por uma módica quantia de onças…..Agora me pague o mesmo pra você meter essa rola gostosa na minha cara eee….
– “Calmaê” …. vou pagar porra nenhuma… eeeeee…. Ai, caralho… que boca é essa…. pqp….

O relógio marcava 10:08 da manhã….

– Não pare, Pam…. qual foi?
– Disse a você que meia hora bastavam né? Não ache que irá me entender com meia hora de prosa. Sou tal qual moringa d’água. Simples à primeira vista, como uma boa cerâmica, mas quem me vê assim, só querendo matar a sede, só de passagem, não faz idéia da trajetória do meu barro, nem das tantas vezes que desejei mudar o meu destino.
– Pam… me faz gozar…
– Pam porra nenhuma… meu nome é Valéria…. só estava querendo mudar de nome profissional.

Pâmela fez de Rui um consolo que se movia e falava. E ele delirava com a sagacidade sexual dela. Impressionava-o a maneira que ela o entregava prazer. Simplesmente fatal. Nada antes dela foi tão intenso. Nunca Rui gozou tanto e daquela forma…. e a agradecia como um fiel faria a seu deus em uma igreja qualquer.

– Estariam todas as prosas esvaindo-se líquidas pelos vértices de nossos lábios? Juramentos e intentos que constituíam nossas esperanças hoje são as substâncias que vivificam nossa desilusão, pelo simples fato de não terem chegado a tornar-se motivo de glorificação. Apenas objeto de falsa fé. Mesmo ferida e com a face submersa em líquido pegajoso te proponho um último ensaio para o nosso crime perfeito. Juntemos nossos cantis para aparar o ácido úrico, agora escorrendo em nossa pele, e reforçar a bendita (maldita) aliança. Afinal, uma garota devassa sempre pede bis.

– Esse bis pode ser depois das 19h?
– Deve. Te espero aqui…. traz umas cervas e petiscos pra assistirmos um filme e depois treparmos como amantes de verdade, tá?
– Toma, é quanto eu lhe devo por me proporcionar tamanho prazer……

……  E Rui beijou-a como se a amasse profundamente, abrindo um abismo entre realidade e ficção, restando apenas a escuridão no olhar de ambos, que perseguiam o amor a cada corpo e em cada esquina….

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