Publicado por: cidadedopensar | 11/02/2011

Mudança Tática.


Como de costume o Grande Broda Eduardo Marinho levantou uma bola punk. Desta vez com as palavras de Leonardo Boff.

Está virando Rotina aqui na Cidade do Pensar a publicação dos “emeios punks” desferidos a cacetadas eletrônicas por quem pensa o mundo de forma livre, mesmo que uma “Libertas Quæ Sera Tamen.” Refleti sobre o eco das palavras de Boff e produzi uma humilde ”sinergia” de pensamentos : Boff-Marinho-Zeitgeist-Braga: Precisamos de Uma Mudança tática !

4-5-1 : Baseado em recursos !

4-5-1 : Baseado em recursos !

Marinho| Boff:

O antropoceno: uma nova era geológica
“Ou substituímos nossas premissas equivocadas por melhores ou corremos o risco de nos autodestruir. A consciência do risco não é ainda coletiva”
Leonardo Boff *

As crises clássicas conhecidas, como por exemplo a de 1929, afetaram profundamente todas as sociedades. A crise atual é mais radical, pois está atacando o nosso modus essendi: as bases da vida e de nossa civilização. Antes, dava-se por descontado que a Terra estava aí, intacta e com recursos inesgotáveis. Agora não podemos mais contar com a Terra sã e abundante em recursos. Ela é finita, degradada e com febre, não suportando mais um projeto infinito de progresso.

A presente crise desnuda a enganosa compreensão dominante da história, da natureza e da Terra. Ela colocava o ser humano fora e acima da natureza com a excepcionalidade de sua missão, a de dominá-la. Perdemos a noção de todos os povos originários de que pertencemos à natureza. Hoje diríamos, somos parte do sistema solar, de nossa galáxia, que, por sua vez, é parte do universo. Todos surgimos ao longo de um imenso processo evolucionário.

Tudo é alimentado pela energia de fundo e pelas quatro interações que sempre atuam juntas: a gravitacional, a eletromagnética e a nuclear – fraca e forte. A vida e a consciência são emergências desse processo. Nós humanos, representamos a parte consciente e inteligente da Via-Láctea e da própria Terra, com a missão não de dominá-la, mas de cuidar dela para manter as condições ecológicas que nos permitem levar avante nossa vida e a civilização.

Ora, essas condições estão sendo minadas pelo atual processo produtivista e consumista. Já não se trata de salvar nosso bem estar, mas a vida humana e a civilização. Se não moderarmos nossa voracidade e não entrarmos em sinergia com a natureza dificilmente sairemos da atual situação. Ou substituímos essas premissas equivocadas por melhores ou corremos o risco de nos autodestruir. A consciência do risco não é ainda coletiva.

Importa reconhecer um dado do processo evolucionário que nos perturba: junto com grande harmonia, coexiste também extrema violência. A Terra mesma, no seu percurso de 4,5 bilhões de anos, passou por várias devastações. Em algumas delas perdeu quase 90% de seu capital biótico. Mas a vida sempre se manteve e se refez com renovado vigor.

A última grande dizimação, um verdadeiro Armagedon ambiental, ocorreu há 67 milhões de anos, quando no Caribe, próximo a Yucatán, no México, caiu um meteoro de quase 10 km de extensão. Produziu um tsunami com ondas do tamanho de altos edifícios. Ocasionou um tremor que afetou todo o planeta, ativando a maioria dos vulcões. Uma imensa nuvem de poeira e de gases foi ejetada ao céu, alterando, por dezenas de anos, todo o clima da Terra. Os dinossauros que por mais de cem milhões de anos reinavam, soberanos, por sobre toda a Terra, desapareceram totalmente. Chegava ao fim a era mesozóica, dos répteis e começava a era cenozóica, dos mamíferos. Como que se vingando, a Terra produziu uma floração de vida como nunca antes.

Nossos ancestrais primatas surgiram por essa época. Somos do gênero dos mamíferos.

Mas eis que nos últimos 300 anos o homo sapiens/demens montou uma investida poderosíssima sobre todas as comunidades ecossistêmicas do planeta, explorando-as e canalizando grande parte do produto terrestre bruto para os sistemas humanos de consumo. A consequência equivale a uma dizimação como outrora. O biólogo E. Wilson fala que a “humanidade é a primeira espécie na história da vida na Terra a se tornar numa força geofísica” destruidora. A taxa de extinção de espécies produzidas pela atividade humana é 50 vezes maior do que aquela anterior à intervenção humana. Com a atual aceleração, dentro de pouco tempo, continua Wilson, poderemos alcançar a cifra de mil até dez mil vezes mais espécies exterminadas pelo voraz processo consumista. O caos climático atual é um dos efeitos.

O Prêmio Nobel de Química de 1995, o holandês Paul J. Crutzen, aterrorizado pela magnitude do atual ecocídio, afirmou que inauguramos uma nova era geológica: o antropoceno. É a idade das grandes dizimações perpetradas pela irracionalidade do ser humano(em grego ántropos). Assim termina tristemente a aventura de 66 milhões de anos de história da era cenozóica. Começa o tempo da obscuridade.

Para onde nos conduz o antropoceno? Cabe refletir seriamente.

*Leonardo Boff, escritor, filósofo e teólogo, é autor de Cuidar da terra – proteger a vida (Record, 2010).

RafaLeoBraga:

“A consciência do risco não é ainda Coletiva” …. e quando será? será um dia ? …

Uma tarefa Hércula, colossal e cascagrossa sem o apoio midiático, ou seja, tamufú !

Mas precisamos agir, independente do sistema, agir . Acredito que seu trabalho, Eduardo, é uma forma de agir pró-humanidade e tento, humildemente, fazer o mesmo : O primeiro passo foi dado, minha família acha que sou louco por tentar mudar o mundo e querer viver fora do sistema…

O mundo está precisando de “loucos”…. novos “Galilleos” que descubram e retirem o véu das inverdades, só que desta vez antropocêntricas… e mostre para as massas o óbvio : o planeta está morrendo…. e nós, humanos errantes somos os assassinos a espera de absolvição divina , regidos por corporações financeiras ,religiosas e midiáticas .

Sinceramente, Eu, ser humano de Carne e espírito, não agüento mais não ser o que posso.

Costumo dizer que nada é impossível. Basta pensar que existo em um enorme globo flutuante, que navega o vazio em um movimento ininterrupto em torno de si mesmo e,simultaneamente , ao redor de uma bola de fogo absurdamente intensa e gigante : Pronto, o “impossível” virou fato consumado .

O Vazio no qual o globo (Vulgo “Minha Casa d’água” ) flutua, parece ter sido originado do nada; uma origem não originada, logo, não é real. Ainda bem que a lógica pura não me seduz, pois, caso contrário, teria certeza de que não existo, e nada sou. Assim é minha vida : Um vazio inexplicado, onde todo potencial criativo não é desfraldado .

Sou solitário, mas não sozinho . Vivo em companhia de Bilhões de desconhecidos, de inúmeras crenças, virtudes e desventuras. Isso me faz pensar que possivelmente existe, pelo menos, 10 Milhões de “Eus” espalhados pelo globo : Cópias perfeitas de mim. Simulacros inescrupulosos de mim. Piores “Eus” em cada país . Melhores “Eus” em cada esquina .

Penso que todos os desconhecidos, na verdade são um só. Apenas um ser . Cada desconhecido é um átomo de um superior ser. Talvez uma multidão de ” Anti-Corpos”. Estes Anti-corpos não formam, infelizmente, uma unidade “Espartana” de defesa, e por isso, seus ideais e morada estão ruindo, esperando passivamente um milagre divino. Mas Deus, o criador, não existe . Nós somos ” Deus” , e não um “cara”, uma energia ou entidade, nem reis dos reis, mas sim uma alcunha do “Todo”. A todos os seres . Nós, “multidão”, somos “Deus” . Uma união de Plebeus .

Plebeus na luta insana pra alcançar o sucesso e a fama da nobreza. Plebeus iludidos na busca por uma felicidade fabricada por inescrupulosas mentes que pretendem manter o status-quo acima de qualquer coisa. Lucro, Lucro,Lucro. Dívida, Dívida,Dívida e Dívida . Fim dos recursos naturais. Morte do planeta . E nós, Plebeus e Nobres vamos fazer o quê com este veneno em papel chamado dinheiro ? uma fogueira para nos aquecer nos tempos obscuros de uma nova era glacial ?!

O cascudo de pensar “contra a maré” é que existe sempre um rótulo nos esperando para ser colado em nossas testas : Comunista ! Anarquista ! Filho do demo !

Estamos em uma fase de transição, ou ao menos deveríamos estar, já que todos os modelos de se viver em sociedade tentados, naturalmente, falharam. Precisamos mudar, e fui convencido de que a solução é abandonar o sistema vigente. Abandonar não…. Evoluir para um sistema econômico inteligente : O sistema econômico baseado em recursos naturais : Não para gastá-los, mas sim para geri-los com inteligência, dando suporte a todos os humanos de forma igualitária.

Se existisse um deus, gostaria de ouvir dos céus, como uma narração em off de filmes, propagandas e Futebol :

“Está encerrada a partida, fim de primeiro tempo, . Os jogadores, exaustos vão para o vestiário para tentar mudar o panorama do jogo,tentar acertar os erros e quem sabe dar fim a competição logo que iniciar o segundo tempo ….. bola rolando… recomeça o jogo ! ”

Um forte e fraternal abraço,

RafaLeoBraga


Responses

  1. O ideal é mascarar as mudanças táticas . Começar devagar. Ludibriar o Big Brother de Orwell é uma tarefa tsunamesca, um tanto burlesca, mas é possível e é master ser feita, acima de tudo, de forma ímpía. Vamos pra cima deles Mengô, mas baseados em Recursos.

  2. cara muito bom seu blog , bom trampo ,bom material d pensar…
    força na luta , vc nao ta sozinhu…


Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s

Categorias

%d blogueiros gostam disto: