Publicado por: cidadedopensar | 23/02/2010

Memórias Infantis


Memórias Infantis - Parte 1

Memórias Infantis - Parte 1

Minha primeira memória. Aquela incipiente. Ela mesma. Da época das fraldas.Jamais chupetas . Lembro-me de uma sala espaçosa. Carpetes Verdes. Uma TV cinza e prata,daquelas de botão de girar . Vejo um jovem senhor, calvo , barba ainda preta, sem camisa, de jeans e cinto . Sem meias .

Era pequeno. Agora, nesse tempo que não voltará, estou sentado nu em um chão frio. Água cai do teto, bate em meu rosto , Gosto da sensação , do som da água caindo naquele frio chão de ladrilhos vermelhos . A porta era de plástico e alumínio … … água …

Lembro mais uma vez de água . Desta vez estou em um branco tanque, acompanhado mais uma vez por aquele jovem senhor, calvo, de barbas ainda pretas, banhando-me numa água gostosa. Que sensação Maravilhosa. Logo em seguida vejo um pássaro branco em uma gaiola. Indago seu nome. Sem titubear, o jovem senhor indica o nome, mas não me recordo agora . Curioso foi observar (se não me falha a memória, pois posso juntar fragmentos temporais em uma única lembrança infantil) outro pássaro aproximar-se de nós . Lembro deste mesmo senhor dizer-me que todos os dias esse pequeno passarinho visitava o branquinho para comer o seu alpiste, por vezes um quarto de tomate que ficava preso em sua gaiola . Ao lado do tanque tinha uma janela, e dela vejo árvores e um pouco da rua .Talvez uma garagem, com alguns fuscas. Um era branco… ou bege … Algo assim .

Desembrulho minha memória mais uma vez . E mais uma vez o jovem senhor me acompanha . Mãos dadas . Não uso mais fraldas. Uso um short azul escuro, chinelos de dedo .Sem camisa. Faz Calor.

Atravessamos uma “rodinha” (que tem o chão pintado com um boneco cabeça de bola de futebol e corpo formado por quadrados vermelhos e verdes) onde crianças brincavam. Chegamos, eu acho, em uma padaria.

Ele café. Eu picolé. Andamos mais um pouco. Agora, corto o cabelo. Ele, apara a barba. Rimos bastante em toda caminhada.

Já voltamos pra casa. Com toda maestria na arte de preparar mingau de aveia com neston, me oferece um . Como deliciosamente feliz. Em seguida, chegam meus pais, e, um cara, alto e magro, de cabelos negros e lisos, sai de um dos 3 quartos, trajando apenas um short de nylon branco, segurando uma maçã. Ele morde meu braço, lambe minha testa ,me faz cócegas na barriga , oferece um “tasco” da maçã, me põe no colo e liga a TV. Vai ter futebol. É o Brasil em campo.

Da cozinha vem um cheiro maravilhoso de comida. Vou até ela. Lá tem um bebê de fraldas, moreno e bem cabeludo, uma jovem senhora sorridente com um cigarro entre os dedos, dizendo – “não votei neste filho da puta do Moreira” – emenda para mim um sonoro – “Bunitão da vó” . Ela me pega no colo. Me “passa” para uma mulher jovem, bonita, com sorriso nos lábios, olhar carinhoso, de fala doce e mansa, com grandes e rosadas maças faciais. Ela tem um colo gostoso. Sinto-me aconchegado.

Volto para a sala e lá está um senhor, sentado em uma poltrona marrom, vestindo blusão branco de botões e bermuda de linho. Idade avançada, calvo, calado e com um olhar intrigante, seco, daqueles sem brilho e insosso . Não transmite nada além de silêncio. Ainda na sala , vejo minha mãe : Linda e sorridente, com longos cabelos negros, apaixonante, radiante de profundo olhar doce e forte, acompanhada de meu pai, palitando os dentes, debruçado na janela, talvez falando com alguém que passava na rua. Parecia um garoto de tão jovem, com cabelos ainda negros e corpo esguio, de bermuda jeans e sem camisa. Ele me pega no colo . Vai começar o jogo .

Sem precisar data. Apenas no chute, minha mente me presenteia com uma cômica memória. Era um domingo de manhã | tarde . Eu, acompanhado do cara alto, magro e de cabelos negros , uma linda e bronzeada morena de olhos mel, corpo esculpido, cabelos longos e negros, assistia um Grande Prêmio de fórmula 1. Não. Na verdade assistíamos o mito Senna desbravar com coragem e sabedoria as curvas e retas , com sua Mclaren , para derrotar as poderosas Willians de Nigel Mansell e Prost (Não tenho certeza se era o competente, vitorioso e mau caráter piloto francês). A corrida não era das melhores. Senna tentava a recuperação da liderança. Mas não conseguia. O marasmo prosseguiu até meu pai entrar no quarto onde estávamos e perguntar :

– “Quanto tá a corrida “?”
– e o cara alto responder :
“ 2×0 , dois gols do Senna de cabeça !.”

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