Publicado por: cidadedopensar | 10/08/2009

Sabedoria Infantil


Ninguem nasce bandido ! (Arte de Eduardo Marinho)

Ninguem nasce bandido ! (Arte de Eduardo Marinho)

O dia dos pais acabou. Tudo bem, apenas mais uma data para aquecer as vendas de livros, camisas polo, gravatas, carteiras, entre outros.

É dia de encontro de gerações. Bisa, Vô, Pai, Filho e Neto. Família.

Meu presente se chama Lucas. Iluminado como o nome.
Descrever o amor que sinto por ele é impossível. Abstrato. Forte. Imensurável. Eterno.

Meu filho é uma criança com espírito notávelmente evoluído. Muito mais do que o meu.

Tennho o delicioso hábito de contar estórias e histórias para ele, antes de dormir, e sempre, sempre conversamos, as vezes por horas.

Ele manifesta todo seu amor por mim diariamente, tanto com palavras quanto com ações. Me impressiona e me pressiona a ser o máximo de mim. Preciso ser a melhor versão da minha essência.

Como todo pai, me acho um razoável. Principalmente se tratando de Lucas, que merece total dedicação , zelo e preparo.

Ele normalmente me faz perguntas sobre a vida, por vezes filosofa , do alto dos seus 6 anos de idade.

Ontem a noite, numa conversa antes de dormir , dentro do contexto me fez a seguinte pergunta : ” Papai, por que agente quando cresce, agente fica pior ? ” .

Respondí : ” Filhote. que pergunta maravilhosa carinha.”
Pensei alguns segundos. Difícil respondê-la sem assustar.

Antes de receber qualquer resposta, ele emendou : ” Tem gente que cresce e vira bandido” .

Silêncio. Minha garganta apertou. Como desfraldar a maldade e expô-la para um ser tão iluminado quanto meu menino ?

Não poderia deixa-lo sem resposta .

” Ô lucão. Realmente, ninguém nasce bandido, mas muitos não tem a oportunidade de conhecer o bem. O Amor.”

” Quando crescemos, perdemos o olhar inocente. A doçura de ser criança. Muitos esquecem o que é ser criança. Papai jamais esquecerá . Você me ajuda todos os dias a ser um cara melhor. Jamais perca o amor que tem no coração. Com o tempo você mudará. Crescerá. Não perca esse brilho no olhar. Boa noite meu filho. Papai te ama.”

Deixei meu coração falar por mim. Como iria dizer, para quem mais eu amo que o mundo corrompe as almas puras infantís ? Que o sistema competitivo vigente não tolera a inocência ?

Minha função é saber dosar informação e prepara-lo para o futuro. Jamais cegarei-o da verdade. Com bom senso fomentarei o pensamento crítico na minha cria. Assim espero ser um bom pai.

Meu filho. Minha vida.

Escrito por : “Cidade Do Pensar”


Responses

  1. seu filho tem sorte em ter você. parabéns.

    • Vai desculpando, véi, mas se você acha que nenhum bandido tem amor no coração, é porque não viveu entre eles. Cê tá enganado. A face que eles mostram pra sociedade é, em geral, correspondente à face que a sociedade mostrou pra eles. Se qualquer deles te encarar como “a sociedade”, cê tá fudido ou vai ter que ter muito espírito pra desenrolar. Seja um desses aleijados da alma sobre quem nunca houve um trabalho pacificador, conscientizador, sensibilizador, humanizador, que seria a obrigação do Estado (pra que que serve a academia?), ou seja um bandido que tenha coração e amor dentro dele, que só tem a cara de fera quando encara a sociedade que sempre o massacrou. Há exceções, claro, de muitas formas, mas essa é a regra geral.
      Teu filho é uma luz, tu tens sorte. E muita responsa. rsrsrsrs Esse cara vai te arrastar lá pra frente.
      Um grande abraço, meu irmão.

      • De fato, Broda Eduardo, tens razão… não observei a ótica de um coração bandido. Pode ser que o ódio e o amor são como o azeite e a água . Mostre o amor a quem te bem trata. O ódio para quem o maltrata . A sociedade, como um todo , se mostra um inimigo visível aos olhos de um coração marginalizado . Eu mesmo, no momento em que disse tais palavras ao meu filho, agi como o todo : Marginalizei o coração de um bandido .

        Nossas observações, de forma dialética, se completam : A minha pela ótica do coração que marginaliza o bandido : A tua baseada na ótica do coração bandido .

        Até quando não queremos, mesmo pessoas como eu, que prezam a imparcialidade e o altruísmo, escorregam nas palavras em horas pontuais.

        Senti um pouco de vergonha, pois percebo que ainda existem barreiras em meu coração, que não me permitem absorver o todo sem julgamentos .

        Bicho, obrigado pelas palavras. Spu um tanto masoquista, pois, gosto quando minhas verdades caem ao chão , para reescrevê-las , repaginá-las em meu coração !

  2. Meu chapa ! Esse blog me mostra um Rafael que eu não conhecia, na verdade um Rafael que poucos conhecem ! Continue a escrever que continuarei a ler ! Parabéns primão !

  3. Acho bacana, Rafael, que você também escreva. Nunca imaginei que alguém da família pudesse exercer meu “ofício”.

    Gostei dos textos, embora tenha minhas críticas, tipográficas e literárias, e possua opiniões políticas algo divergentes. Em breve poderemos debater um pouco mais; teremos ocasião para isso.

    O seu texto foi surpreendente pela sinceridade e sensibilidade ao reproduzir esse sentimento magnífico que é o amor paterno. Escrevo como parente e amigo. Não discutirei literatura, semântica, sintaxe; não liguei para a relevância textual, mas para a exibição dessa relação espetacular que você tem com seu filho, o Lucas, uma criança que, bem guiada, terá sem dúvida alguma um bom futuro. Um filho que merece o pai.

    Continue escrevendo, desenvolva seus métodos, estude. E jamais esqueça de incentivar o Lucas a ler. Jamais.

    Estou fazendo isso com minha irmã e ela progrediu bastante. Já entende de pronomes oblíquos, conjunções adversativas e até corrige nossa mãe! Esta menina me rende boas risadas, com seu gênio impetuoso e sua doçura contrastante 🙂

    Ela só não lê mais por causa da internet. Uma lástima que um manancial de informação torne-se um instrumento alienador. Quero lhe mostrar que os livros são muito mais interessantes do que joguinhos online e Orkut. Vamos ver o que eu consigo…

    Ganhou um novo leitor. Se quiser, depois lhe envio alguns de meus textos, em sua maioria contos e poesias.

    Grande abraço, primo! Até sábado.

  4. uhmm..senti uma pontinha, pontinha não, um morro de inveja dessa criança…é muito felisarda por ter um pai assim. É bom ler estes tipos de posts.É bom sabem que tem gente sadia no mundo, que não só os pobres que pensam na decadência humana e são taxados de frustrados , que é despeito.Tão bom saber que existe quem pense, que não finge que não se deixa aprisionar pelo medo de não agradar de não “vencer na vida”,sem tirar o direito de niguém.


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